APRESENTAÇÃO

 

 

O presente projeto apresenta proposta de intervenção dos acadêmicos de Serviço Social da UNITINS, no Centro de Atenção Psicossocial CAPS CASA ABERTA. 

Instituição pública, com atuação na área da saúde e que integrado a outros dois Centros de Atenção Psicossocial, o CAPS AD e o CAPSi, formam o Programa de Saúde Mental de Resende, que é vinculado a Secretaria Municipal de Saúde.
O CAPS CASA ABERTA está localizado à Avenida General Afonseca, 1723 bairro Vila Julieta, na cidade de Resende, no estado do Rio de Janeiro, telefone (24)3359-4893, endereço eletrônico caps.casaaberta@hotmail.com, horário de funcionamento de segunda a sexta-feira de 08:00h às 17:00h.
O surgimento dos CAPS se deu com o movimento da reforma psiquiátrica, com a intenção de substituir o tratamento e a internação dentro dos hospitais psiquiátricos, que fechavam e isolavam os pacientes do convívio social e familiar, onde eram aplicados todo tipo de violência: moral, física e psíquica, e que contribuíam para cronificação da doença. 
Oficialmente, com a publicação da Lei Federal 10.216 em 2001, foi criado o CAPS CASA ABERTA, que é um serviço de atenção diária, que acolhe os pacientes com graves transtornos mentais, oferecendo atendimento médico e psicológico, estimulando a reabilitação psicossocial, integração social, familiar e a autonomia dos usuários. Tem o objetivo de evitar as internações, favorecendo o exercício da cidadania e da reinserção social dos usuários, fortalecendo os laços familiares e comunitários. 
A equipe do CAPS CASA ABERTA é interdisciplinar, formada por 2 médicos psiquiatras, 3 assistentes sociais, 5 psicólogos, 2 enfermeiros, 1 técnico de enfermagem, 2 terapeutas ocupacionais, 2 oficineiros e 2 assistentes administrativos. 
Os dispositivos de atenção aos portadores de transtornos mentais e usuários de álcool e outras drogas, de acordo com essa nova política, são: os Centros de Atenção Psicossocial, as Residências Terapêuticas, os leitos psiquiátricos de curta permanência em hospitais gerais e os programas de incentivo à desinstitucionalização, como o “De Volta Para Casa”.
A Portaria número 106/MS de 11/02/2000 cria os Serviços Residenciais Terapêuticos no âmbito do SUS. As RT são dispositivos de moradia assistida, articulados às redes de atenção psicossocial, atenção básica e assistência social dos municípios.
Diante dessa nova reestruturação do modelo de atenção em saúde mental, bem como as ações de desinstitucionalização, o município de Resende, inaugurou em 21/06/2012 o Serviço Residencial Terapêutico. 
Atualmente, moram na RT seis usuários, sendo que os outros quatro ainda estão em processo de desinstitucionalização, vindo ao CAPS toda semana até que estejam prontos para uma nova vida. A casa é alugada pela S.M.Saúde e está localizada na Estrada Resende Campo Belo, 98, Bairro Itapuca.

 

 

 

JUSTIFICATIVA

O Ministério da Saúde define os serviços residenciais terapêuticos como 
"moradias ou casas inseridas, preferencialmente na comunidade, destinadas a cuidar dos portadores de transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa permanência, que não possuam suporte social e laços familiares e que viabilizem sua inserção social" (Ministério da Saúde, 2004).
Uma Residência Terapêutica deve ter como meta possibilitar ao usuário a construção de autonomia e identidade, perdidas pela situação de institucionalização ou pela condição de precariedade de vida. Na casa, são trabalhadas as questões do morar e de conflitos interpessoais. As outras questões para além do morar são tratadas pelos dispositivos da saúde mental disponíveis no município, além da atenção básica e a rede social. É de fundamental importância o trabalho em rede e coparticipação e corresponsabilização por esses usuários. 
Nosso projeto de intervenção foi elaborado a partir da observação no processo de desinstitucionalização dos usuários residentes da RT, que diagnosticamos após entrevistar abertamente dez moradores, homens e mulheres do bairro Itapuca, com idade média de 45 anos. Utilizamos como critério de escolha dos dez moradores entrevistados, o fato de morarem perto e “serem vizinhos” da residência terapêutica, supondo que a princípio teriam mais contato com os residentes da RT. 
Dos dez moradores, nove não conheciam o que é residência terapêutica, o porquê do seu surgimento, seu propósito e objetivos, assim como não conheciam os seus residentes. 
Seis desses moradores entrevistados relataram ter medo dos pacientes com problemas mentais, por apresentarem reações imprevisíveis quando estão em crises. 
Vimos que não havia um trabalho de divulgação da Residência Terapêutica, que os usuários não eram conhecidos, e que não havia a participação deles nos eventos do bairro, assim como não havia a participação da comunidade no processo de reinserção. 
Nosso interesse em intervir na realidade social dos usuários também foi inspirado pelo relato dos profissionais do CAPS, que tentaram fazer a aproximação dos residentes da RT com a comunidade do bairro, através da parceria do CRAS e Centro da Juventude, tendo como resultado total fracasso, pois não houve participação nenhuma da comunidade. 
Como a RT tem apenas quatro meses de funcionamento e como as ações relativas à articulação da rede, à construção de vínculo com o CAPS e outros setores já foi iniciada possuindo um bom andamento, vimos à necessidade de um retrabalho com a comunidade, promovendo ações para desmistificação, inclusão e socialização dos usuários que passaram anos em total exclusão social. 
Justifica-se, portanto, a criação de um trabalho de divulgação, sensibilização e conscientização da comunidade para acolher os usuários que nela estão inseridos.

 

 

 

 

 

 

 

OBJETIVOS

Geral
• Promover a reinserção social de pessoas com transtornos mentais egressos de internação de longa permanência em hospitais psiquiátricos.

Específicos
• Divulgar para a comunidade o funcionamento do Serviço Residencial Terapêutico, os objetivos e quem são os residentes.
• Sensibilizar a comunidade do bairro Itapuca, para o acolhimento e inclusão dos residentes da RT
• Promover ações que viabilizem o acesso dos residentes da RT na comunidade e a participação em eventos no bairro, ou seja, na vida comunitária.
• Obter o apoio da comunidade São Judas Tadeu, do Centro da Juventude e do CRAS Itapuca na articulação com a comunidade para divulgação do trabalho e no auxilio na reinserção social dos residentes da RT. 
• Diminuir o preconceito contra os pacientes com transtornos mentais.
• Resgatar a identidade, a cidadania e a autonomia dos usuários.

 

PÚBLICO ALVO
Nosso projeto de intervenção tem como principal público alvo os usuários residentes da Residência Terapêutica, que precisam reintegrar-se a sociedade e na vida comunitária. Sofridos, totalmente institucionalizados após anos de internação hospitalar e total exclusão social, merecem começar uma nova vida de direitos, sem preconceitos, o abandono e a violência.
Buscamos também atingir a comunidade do bairro Itapuca, sensibilizando-os para a causa e conscientizando-os do importante papel e do apoio que podem dar no lento processo de reinserção dos residentes da RT na sociedade. 

 

METAS
Promover a reinserção social dos usuários da RT na comunidade, num prazo de quatro meses.

 

METODOLOGIA

É preciso que fique claro o que é Residência Terapêutica, seus objetivos e finalidade, entendendo que esse serviço está inserido em um espaço urbano, e essa é a questão central: o viver em uma cidade. 
Reintegrar esses doentes mentais graves na comunidade não é uma tarefa fácil, uma vez que, ainda existe falta de informação sobre esse trabalho e muito preconceito com os doentes mentais. E, foi pensando nessa questão que decidimos investir num encontro da comunidade com os seis residentes, para que tenham a oportunidade de conhecer de perto todo trabalho que a RT vem desenvolvendo com os usuários que nela se encontram, após terem sofridos anos de total exclusão social. 
Para que haja sucesso no encontro é preciso articular e envolver todas as redes sociais onde se situa a Residência Terapêutica como a escola, Estratégia Saúde da Família, Igreja, CRAS, Centro da Juventude, Associação de Moradores e o comércio local.
Logo após a inauguração da RT, a equipe do CAPS tentou essa aproximação dos residentes com a comunidade, através do CRAS e do Centro da Juventude, com total fracasso, pois não houve participação nenhuma da comunidade. Então pensamos de que maneira poderíamos obter mais apoio para o início desse trabalho que não poderá ser único e sim o primeiro de muitos outros encontros.
Apostamos na união de forças com os jovens da Comunidade São Judas Tadeu que desenvolvem trabalhos referentes às questões sociais que existem dentro desse bairro. Pensamos nesses jovens, pois acreditamos que eles sejam o canal de articulação entre a Igreja e a comunidade uma vez que, uma grande maioria das pessoas que moram nessa comunidade são frequentadores assíduos nessa Igreja.
O primeiro passo seria pedir ao pároco responsável pela comunidade São Judas Tadeu um espaço na reunião mensal dos líderes e coordenadores para apresentarmos nossa proposta de auxilio na articulação do encontro dos usuários residentes na RT com a comunidade do bairro, aproveitando o momento para convidar os jovens para seguir a frente dessa parceria.
Para sensibilizarmos os jovens para a causa, pensamos em realizar pelo menos três encontros de aproximadamente 50 minutos, para explicarmos o processo da Reforma Psiquiátrica, o trabalho do CAPS, como surge o Serviço de Residência Terapêutica, quem são os residentes e suas histórias de vida, para que entendam que a RT não é um espaço de tratamento e sim de moradia e que os residentes são pessoas sim, que tem transtorno mental, mas são seres humanos que precisam ser socializados, reconstruídos e inseridos no meio da comunidade.
Nesses encontros com os jovens usaremos materiais que facilitará o entendimento do assunto tratado como: vídeo contando a história da saúde mental do município, filipetas falando sobre a Residência Terapêutica e artigos voltados à saúde mental. 
Utilizamos a metodologia participativa, planejando junto com os jovens às estratégias para convidarmos a comunidade do bairro Itapuca, para um encontro com os usuários residentes na RT, definindo data, horário e local do encontro. 
Convidaremos os jovens a conhecer a RT, sua rotina e funcionamento, deixando o convite estendido para visitas a hora que desejarem e para realização de alguma atividade com os usuários, tipo tomar um café da tarde,assim como o auxilio na participação deles na festinha da igreja que será em novembro.

 

RECURSOS E PARCERIAS
Para a execução do projeto contamos com a parceria e apoio da Coordenadora do CAPS, psicóloga Milene Santiago Nascimento, da Coordenadora da RT Assistente Social Josiene Oliveira da Silva, do pároco José Luiz da Comunidade São Judas Tadeu, grupo de jovens da comunidade São Judas Tadeu, liderado pelo Coordenador Sr. Felipe Augusto, Coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social- CRAS Itapuca, Srª Sara.
Utilizamos recursos materiais como: vídeo cedido pela Secretaria de Saúde, data show da igreja São Judas Tadeu, panfletos confeccionados pelo CAPS CASA ABERTA, convites e cartazes para divulgação do encontro com a comunidade com papel e impressão no CAPS e cópias feitas na Secretaria Municipal de Saúde.

 

AVALIAÇÃO

Aplicação de entrevista, relatório estatístico e avaliação com formulário fechado com os participantes, tanto da comunidade quanto dos residentes da RT, medindo o grau de satisfação/ insatisfação dos seguintes indicadores:
• Conhecimento da existência de uma RT no bairro;
• Conhecimento dos objetivos da RT;
• Conhecimento de quem é o público alvo da RT;
• Inserção dos residentes na comunidade;
• Satisfação dos participantes com os encontros realizados;
• Aceitação dos residentes da RT pela comunidade;
• Envolvimento dos jovens da igreja São Judas Tadeu no Projeto e frequência dos jovens nos encontros.

 

CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO

Especificação                                                                      Julh Ago Set Out Nov

Coleta de dados para o projeto                                             X 
Encontro com os líderes pastorais da Igreja                                X
Encontro com o Grupo de Jovens da Igreja                                        X
Encontro dos moradores da RT com a comunidade                                  X
Visita do Grupo de Jovens à Residência Terapêutica                                      X
e a participação dos usuários em eventos no bairro
 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BRASIL, Ministério da Saúde – Saúde Mental no SUS: Os Centros de Atenção Psicossocial. Brasília, Secretaria de Atenção à Saúde, 2004.

______. Ministério da Saúde – Residências Terapêuticas: o que são, para que servem. Brasília, Secretaria de Atenção à Saúde, 2004.
 
 
______. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10216.htm. Acesso em: 16 nov. 2012.
 
 
 
______. Portaria nº 106, de 11 de fevereiro de 2000 – Ministério da Saúde. Institui os Serviços Residenciais Terapêuticos. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=23119. Acesso em 16 nov. 2012. 

 

ROSA, L.C.S. & VASCONCELOS, E.M. (Orgs) Saúde Mental e Serviço Social: o desafio da subjetividade e da interdisciplinaridade. São Paulo: Cortez, 2000.